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Obesidade e emagrecimento

Naltrexona + bupropiona para obesidade: quanto emagrece, para quem funciona e o que mudou na bula em 2026

A combinação em comprimido que age na vontade de comer: o que os quatro estudos COR realmente mostram, onde a Diretriz ABESO 2026 a posiciona, quanto custa no Brasil e a mudança de bula de junho de 2026 que quase nenhum site incorporou.

Dr. Diegomaier Nunes NeriPor Dr. Diegomaier Nunes Neri, médico · CRM-SC 32925 | CRM-BA 39586 · revisado em · leitura de 22 min
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Em resumo
  • Perda de peso de cerca de 4,8 pontos percentuais acima do placebo — a Diretriz ABESO 2026 classifica a combinação como de baixa a média potência, abaixo da semaglutida (12,0%) e da tirzepatida (14,8%).
  • Nos estudos COR, a perda média foi de 6% a 9% em 56 semanas; o melhor resultado veio do estudo com 28 sessões de acompanhamento comportamental.
  • Age na vontade de comer (fissura, beliscar, comer emocional), não na saciedade física — perfil diferente do das canetas de GLP-1.
  • Novo em 2026: a bula brasileira passou a mandar reavaliar em 16 semanas (antes 12) e reavaliar o risco cardiovascular todo ano.
  • Registrada na ANVISA e disponível no Brasil em quatro marcas (referência e similares). Exige receita de controle especial em duas vias.

Resposta curta: a associação de naltrexona 8 mg com bupropiona 90 mg funciona, mas é um remédio de efeito modesto. Nos quatro grandes ensaios clínicos, a perda média de peso ficou entre 5% e 9% em um ano, e a diferença em relação ao placebo foi de cerca de 4,8 pontos percentuais. A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada pela ABESO em 2026, classifica essa combinação como de baixa a média potência — abaixo da semaglutida e da tirzepatida, no mesmo patamar da liraglutida (ABESO, ABESO 2026). Em compensação, é comprimido (não injeção), custa menos e atinge um alvo que as canetas não atingem bem: a vontade de comer, a fissura, o beliscar por emoção.

Aqui no Brasil a combinação é registrada na ANVISA e está nas farmácias desde 2023. Abaixo eu reúno o que os estudos realmente mostram, o que mudou na bula brasileira em junho de 2026 — uma mudança que a maioria dos textos na internet ainda não incorporou — e em que situação, na prática, ela costuma fazer sentido.

O que mudou em 2026 e quase ninguém atualizou: a bula brasileira aprovada em 19/06/2026 passou a mandar reavaliar em 16 semanas (antes eram 12) e reavaliar o risco cardiovascular todo ano. A ANVISA enviou carta aos médicos em 19/05/2026 explicando o motivo: os dados de segurança cardiovascular além de 12 meses ainda são insuficientes (bula brasileira, ANVISA 2026; carta da ANVISA, 2026). Muitos sites ainda repetem a bula de 2021.

Como esse remédio se chama no Brasil e em outros países

O princípio ativo é sempre o mesmo: cloridrato de naltrexona 8 mg + cloridrato de bupropiona 90 mg, em comprimido de liberação prolongada. O que muda é o nome na caixa. Cito as marcas apenas para você reconhecer o produto na receita ou na prateleira — não é indicação nem publicidade, e não tenho vínculo com nenhum fabricante.

PaísNome comercialSituação
BrasilContrave, Sliv, Reduxalt, BupnalRegistrado na ANVISA como antiobesidade; nas farmácias
Estados UnidosContraveAprovado pelo FDA desde setembro de 2014 (bula do FDA, 2025)
CanadáContraveHealth Canada, comercializado desde 2018
AustráliaContraveRegistro ativo na TGA
União Europeia e Reino UnidoMysimbaAutorizado pela EMA desde março de 2015 (EMA 2025)
EspanhaMysimbaAutorizado, mas não comercializado
ArgentinaNaltrevaAutorizado pela ANMAT em 2023 (ANMAT 2023)

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Um detalhe que confunde: a bula europeia escreve "8 mg de cloridrato de naltrexona, equivalente a 7,2 mg de naltrexona". É o mesmo comprimido — um número se refere ao sal, o outro à base.

Não confunda com a naltrexona em dose baixa. A LDN usa naltrexona em doses de 1 a 4,5 mg com outra finalidade, e não é o mesmo que a naltrexona de 8 mg desta associação. Escrevi sobre isso em naltrexona em baixa dose (LDN).

Como age no cérebro: fome de um lado, vontade do outro

A fome tem dois circuitos diferentes, e esse remédio foi desenhado para mexer nos dois ao mesmo tempo.

Na prática, o efeito aparece menos como "estômago cheio" e mais como redução da fissura: o doce de fim de tarde que deixa de chamar, a vontade de beliscar que diminui. É diferente das canetas de GLP-1, que atuam principalmente retardando o esvaziamento do estômago e aumentando a saciedade física.

Quanto emagrece: o que mostram os estudos COR

Quatro ensaios de fase 3, todos com 56 semanas, formam a base da aprovação. Nos quadros abaixo, "análise principal" é o resultado contando todos os participantes que receberam o remédio (inclusive quem abandonou) e "entre quem completou" é só quem chegou ao fim.

EstudoQuem participouPerda com o remédioPerda com placeboPerdeu ≥5% do peso
COR-I (Greenway et al., Lancet 2010 — COR-I)1.742 adultos com obesidade−6,1%
−8,1% entre quem completou
−1,3%48% vs 16%
COR-II (Apovian et al., Obesity 2013 — COR-II)1.496 adultos−6,4%
−8,2% entre quem completou
−1,2%50% vs 17%
COR-BMOD (Wadden et al., Obesity 2011 — COR-BMOD)793 adultos, com 28 sessões de mudança de comportamento−9,3%
−11,5% entre quem completou
−5,1%mais que o placebo (p<0,001)
COR-Diabetes (Hollander et al., Diabetes Care 2013 — COR-Diabetes)505 adultos com diabetes tipo 2−5,0%−1,8%45% vs 19%

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Três leituras honestas desses números:

  1. O melhor resultado veio do estudo com acompanhamento intensivo. No COR-BMOD, com 28 sessões de mudança de comportamento em um ano, a perda chegou a 9,3%. Sem esse suporte, ficou em torno de 6%. O remédio sozinho entrega bem menos do que o remédio com acompanhamento.
  2. Cerca de metade dos participantes abandonou antes de um ano. Essa é a maior fragilidade do programa inteiro, e o próprio comitê da EMA registrou isso. Quem abandona pode ser diferente de quem fica.
  3. No diabetes tipo 2 o efeito foi menor — 5,0% —, o que costuma acontecer com todos os remédios para obesidade. Em compensação, a hemoglobina glicada caiu 0,6 ponto (Hollander et al., Diabetes Care 2013 — COR-Diabetes).

O efeito costuma aparecer quando?

A dose plena só é atingida na 4ª semana. A partir daí, a curva de perda de peso continua descendo até por volta do sexto ao nono mês, quando tende a estabilizar. Por isso a bula brasileira manda reavaliar em 16 semanas — é tempo suficiente para saber se o seu corpo respondeu.

Comparando com as outras opções disponíveis no Brasil

A Diretriz ABESO 2026 reuniu as metanálises e organizou os medicamentos por potência. Os números abaixo são perda de peso já descontado o placebo em 52 semanas — é a forma mais justa de comparar (ABESO, ABESO 2026).

MedicamentoPerda além do placeboPotência (ABESO 2026)Como se usa
Orlistate2,1%Muito baixaCápsula, 3×/dia
Sibutramina4,2 kgBaixa a médiaCápsula, 1×/dia
Naltrexona + bupropiona4,8%Baixa a médiaComprimido, até 4/dia
Liraglutida6,8%Baixa a médiaInjeção diária
Semaglutida12,0%AltaInjeção semanal
Tirzepatida14,8%AltaInjeção semanal

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Nos ensaios individuais, para dar escala: a semaglutida 2,4 mg levou a −14,9% em 68 semanas (Wilding et al., N Engl J Med 2021 — STEP 1), a tirzepatida 15 mg a −20,9% em 72 semanas (Jastreboff et al., N Engl J Med 2022 — SURMOUNT-1), e na comparação direta entre as duas a tirzepatida ficou em −20,2% contra −13,7% da semaglutida (Aronne et al., N Engl J Med 2025 — SURMOUNT-5). Uma metanálise em rede de 2025, com 56 ensaios e mais de 60 mil pacientes, chegou às mesmas posições (McGowan et al., Nat Med 2025).

O que a diretriz recomenda: "sempre que possível, deve-se considerar a utilização de fármacos de alta potência"; os de baixa a média potência "devem ser preferidos quando medicamentos de alta potência não puderem ser utilizados" (ABESO, ABESO 2026). Na vida real, "não puderem ser utilizados" inclui custo, falta do produto, medo de injeção, intolerância ao GLP-1 e indisponibilidade no plano — motivos legítimos e frequentes.

Se você quiser ver as contas das canetas, tenho ferramentas prontas: calculadora de doses da tirzepatida, conversor de doses da semaglutida e comparador de custos.

Para quem essa combinação tende a funcionar melhor

Essa é a parte que quase nenhum texto cobre, e é a conversa que de fato acontece na consulta. Nem todo mundo engorda pelo mesmo motivo. Um estudo que separou os pacientes por perfil alimentar antes de escolher o remédio obteve perda de 15,9% em um ano, contra 9,0% quando a escolha foi feita do jeito habitual (Acosta et al., Obesity 2021).

Pela lógica do mecanismo e pelo que os estudos sugerem, a dupla naltrexona + bupropiona tende a render mais em quem se reconhece aqui:

E tende a render menos em quem tem fome física intensa e constante, saciedade que não chega e grandes volumes nas refeições — nesse perfil os agonistas de GLP-1 costumam ir melhor. Se quiser mapear o seu padrão antes da consulta, montei a escala de comportamento alimentar.

Como se toma: a subida de dose semana a semana

A dose nunca começa cheia. A titulação existe para reduzir náusea e, principalmente, para diminuir o risco de convulsão (bula brasileira, ANVISA 2026).

PeríodoManhãNoiteDose total do dia
Semana 11 comprimido—8 mg / 90 mg
Semana 21 comprimido1 comprimido16 mg / 180 mg
Semana 32 comprimidos1 comprimido24 mg / 270 mg
Semana 4 em diante2 comprimidos2 comprimidos32 mg / 360 mg

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Regras que importam de verdade:

A regra das 16 semanas

Pela bula brasileira vigente: se, após 16 semanas de tratamento, não houve perda de pelo menos 5% do peso inicial, o medicamento deve ser interrompido. E a necessidade de continuar precisa ser reavaliada a cada ano (bula brasileira, ANVISA 2026; carta da ANVISA, 2026).

Essa regra protege o seu bolso e a sua saúde: ela evita que alguém passe um ano gastando com um remédio que, no seu corpo, não funcionou. Vale registrar uma divergência de datas: a Diretriz ABESO, de março de 2026, fala em 12 semanas; a bula, de junho de 2026, fala em 16. A bula é posterior e é a regra regulatória vigente.

Efeitos colaterais: o que esperar e o que fazer

Frequências da bula americana, com 2.545 pessoas usando a dose plena e 1.515 com placebo (bula do FDA, 2025).

EfeitoCom o remédioCom placeboO que costuma ajudar
Náusea32,5%6,7%Subir a dose mais devagar que a bula; tomar após comer algo leve; tende a ceder em 4 a 8 semanas
Constipação19,2%7,2%Água, fibras, atividade física; às vezes precisa de laxante osmótico
Dor de cabeça17,6%10,4%Costuma ser das primeiras semanas
Vômito10,7%2,9%Se persistir, rever a dose com o médico
Tontura9,9%3,4%Levantar devagar; medir a pressão
Insônia9,2%5,9%Antecipar a dose da noite para o fim da tarde
Boca seca8,1%2,3%Água, goma sem açúcar
Convulsãocerca de 0,1%0%Respeitar a dose máxima, a titulação e evitar refeição gordurosa

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24% das pessoas pararam o tratamento por efeito colateral, contra 12% no placebo — a maior parte nos três primeiros meses, e a náusea é a campeã. Nas metanálises, essa combinação aparece com uma das maiores taxas de abandono por efeito adverso entre os remédios para obesidade (Khera et al., JAMA 2016; Shi et al., Lancet 2024).

Pressão e frequência cardíaca sobem um pouco. Nas primeiras 12 semanas, a diferença em relação ao placebo foi de 1,8 a 2,4 mmHg na pressão sistólica e cerca de 2 batimentos por minuto (bula do FDA, 2025). Parece pouco, e é — mas é o motivo pelo qual hipertensão não controlada é contraindicação e a pressão precisa ser medida antes de começar e acompanhada depois. Se você mede em casa, a planilha de monitoramento da pressão em casa ajuda.

Segurança cardiovascular: o que o estudo LIGHT mostrou e o que não mostrou

O LIGHT foi desenhado para responder se a combinação é segura para o coração: 8.910 pessoas com sobrepeso ou obesidade e risco cardiovascular aumentado (Nissen et al., JAMA 2016 — LIGHT). O estudo foi interrompido antes do fim — e o motivo não foi dano: o patrocinador divulgou publicamente resultados parciais que deveriam ser confidenciais, e isso inviabilizou a continuidade.

O que sobrou: na análise com metade dos eventos previstos, a taxa de eventos cardiovasculares graves foi semelhante entre os grupos. Não apareceu sinal de dano, mas o estudo não chegou a provar a segurança que se propunha a provar. Os próprios autores escreveram que a segurança cardiovascular permanece incerta. Uma metanálise brasileira sobre o tema chegou à mesma conclusão de ausência de sinal claro (Sposito et al., Obes Rev 2021).

Por isso as agências continuam atentas. A Europa concluiu em maio de 2025 uma revisão formal mantendo o remédio no mercado, mas com reavaliação anual obrigatória (EMA 2025), e o Brasil incorporou a mesma regra em 2026 (carta da ANVISA, 2026). Um novo ensaio cardiovascular, o INFORMUS, está em andamento, com resultados esperados por volta de 2028.

Quem não pode usar

A lista de contraindicações é das mais longas entre os remédios para obesidade — a própria diretriz brasileira registra que esse é um ponto desfavorável da combinação (ABESO, ABESO 2026). Pela bula brasileira (bula brasileira, ANVISA 2026):

Dois avisos práticos que raramente aparecem: se você usa esse remédio e precisar de cirurgia ou de analgésico forte, avise o anestesista e o cirurgião — a naltrexona bloqueia os opioides e pode tornar a analgesia ineficaz. E tramadol e codeína, muito prescritos no Brasil, entram nessa conta.

Receita e acesso no Brasil

Receita: naltrexona e bupropiona estão na lista C1 da Portaria 344/98. A dispensação exige Receita de Controle Especial em duas vias, com validade de 30 dias. Não é vendido sem receita, e qualquer site que ofereça sem prescrição está irregular.

Quatro marcas, mesmo princípio ativo. Existe a marca de referência e versões similares, todas com naltrexona 8 mg + bupropiona 90 mg na mesma apresentação. A diferença de valor entre elas é grande — vale perguntar ao seu médico e ao farmacêutico se cabe a versão similar da sua prescrição. É a economia mais fácil de conseguir neste tratamento.

Plano de saúde: medicamento oral de uso domiciliar, em regra, não entra na cobertura obrigatória da ANS. O custo costuma ser do paciente, e é um ponto que vale conversar antes de começar, porque o tratamento é longo.

Dá para manipular essa combinação?

Dá para manipular, mas a Diretriz ABESO 2026 é direta: não recomenda fórmulas magistrais para o tratamento da obesidade — é recomendação de classe III, a categoria reservada ao que "não é útil ou efetivo, e em alguns casos pode ser prejudicial" (ABESO, ABESO 2026). O argumento central é que fórmulas manipuladas não passam por ensaios clínicos nem pelo mesmo controle de qualidade.

No caso específico desta combinação existe um detalhe técnico que pesa mais do que qualquer economia: o comprimido industrializado é de liberação prolongada. Uma cápsula manipulada comum libera a bupropiona de uma vez, com pico de concentração mais alto — exatamente o que a titulação e a liberação lenta existem para evitar, por causa do risco de convulsão. Não é o mesmo medicamento em versão barata; é outro perfil de liberação. Tenho um material sobre o assunto nos manipulados em geral.

Posso usar junto com semaglutida ou tirzepatida?

A diretriz brasileira admite combinar medicamentos quando a resposta foi insuficiente, mas com três ressalvas importantes (ABESO, ABESO 2026):

Tirzepatida com naltrexona + bupropiona não tem estudo nenhum; se alguém fizer, precisa monitorar pressão e humor de perto.

O que eu levo em conta na consulta

Essa combinação costuma entrar na conversa quando: a pessoa não quer ou não pode usar injeção; o custo das canetas é inviável; o padrão alimentar é claramente de fissura e compulsão, e não de fome física; ou há um objetivo somado, como parar de fumar. E costuma sair da conversa quando: a pressão não está controlada; existe história de convulsão ou de transtorno bipolar; há uso de opioide; ou a meta de perda de peso é alta o bastante para que começar por um remédio de baixa a média potência signifique perder tempo.

Em qualquer cenário, o remédio é a parte menor. O estudo com melhor resultado foi justamente aquele com 28 sessões de acompanhamento ao longo do ano — e isso não é coincidência.

Perguntas frequentes

A naltrexona com bupropiona emagrece mesmo?

Sim, mas de forma modesta. Nos quatro ensaios de fase 3, a perda média de peso em 56 semanas foi de 5% a 9%, e a diferença em relação ao placebo ficou em torno de 4,8 pontos percentuais. Cerca de metade das pessoas perdeu pelo menos 5% do peso. É menos do que a semaglutida e a tirzepatida, e mais do que o orlistate.

Em quanto tempo começa a fazer efeito?

A dose plena só é atingida na 4ª semana. A perda de peso costuma continuar até o sexto ao nono mês e depois estabiliza. A bula brasileira manda reavaliar em 16 semanas: se não houve perda de pelo menos 5% do peso inicial, o tratamento deve ser interrompido.

Qual é melhor: naltrexona + bupropiona ou as canetas de semaglutida e tirzepatida?

Em perda de peso média, os agonistas de GLP-1 e a tirzepatida são claramente mais potentes. A combinação em comprimido tem outras vantagens: é oral, custa menos e atua sobre a fissura e o comer emocional. A escolha depende do seu perfil alimentar, das suas contraindicações, do custo e da sua preferência por comprimido ou injeção — é uma decisão de consulta, não de ranking.

Tem no Brasil? Como se chama?

Tem. A combinação é registrada na ANVISA como antiobesidade e está nas farmácias desde 2023, em quatro marcas: Contrave, Sliv, Reduxalt e Bupnal. Em outros países aparece como Contrave (EUA, Canadá, Austrália), Mysimba (Europa e Reino Unido) e Naltreva (Argentina).

Precisa de receita? Qual tipo?

Sim. Naltrexona e bupropiona estão na lista C1 da Portaria 344/98, o que exige Receita de Controle Especial em duas vias, válida por 30 dias. Não existe venda legal sem prescrição.

Quais são os principais efeitos colaterais?

Náusea (cerca de 1 em cada 3 pessoas), constipação, dor de cabeça, vômito, tontura, insônia e boca seca. Cerca de 24% das pessoas interromperam o tratamento por efeito colateral nos estudos, a maioria nos três primeiros meses. O risco de convulsão é baixo (em torno de 0,1%), mas é o motivo das regras de dose.

Aumenta a pressão arterial?

Um pouco. Nas primeiras 12 semanas, a diferença em relação ao placebo foi de 1,8 a 2,4 mmHg na pressão sistólica e cerca de 2 batimentos por minuto na frequência cardíaca. Por isso hipertensão não controlada é contraindicação, e a pressão deve ser medida antes de iniciar e acompanhada durante o uso.

Quem não pode tomar?

Quem tem hipertensão não controlada, epilepsia ou história de convulsão, transtorno bipolar, tumor do sistema nervoso central, bulimia ou anorexia, quem usa opioides cronicamente (incluindo tramadol e codeína), quem está interrompendo álcool ou benzodiazepínicos de forma abrupta, quem usa inibidores da MAO, grávidas e lactantes, além de casos de insuficiência hepática grave ou renal terminal.

Pode beber álcool?

O ideal é evitar. O álcool em excesso aumenta o risco de convulsão com a bupropiona, e a interrupção abrupta de um consumo pesado é contraindicação formal. Converse com o seu médico sobre o seu padrão de consumo antes de iniciar.

Engorda de novo quando para?

Pode acontecer, como com qualquer tratamento da obesidade: a obesidade é doença crônica, e retirar o tratamento tende a devolver parte do peso. É por isso que a decisão de continuar, trocar ou suspender deve ser reavaliada pelo menos uma vez por ano, com acompanhamento.

Posso manipular essa combinação para pagar mais barato?

A Diretriz ABESO 2026 não recomenda fórmulas magistrais no tratamento da obesidade. Além disso, o comprimido industrializado é de liberação prolongada: uma cápsula manipulada comum libera a bupropiona de uma vez, com pico mais alto — justamente o que a titulação procura evitar por causa do risco de convulsão.

Serve para depressão, ansiedade ou compulsão alimentar?

O registro desta combinação é para controle de peso, não para depressão. A bupropiona isoladamente é um antidepressivo, mas isso não transfere a indicação para a associação. Há interesse científico no uso em compulsão alimentar, e a redução da fissura é parte do mecanismo — mas quem decide isso é o médico que avalia o seu caso.

Referências

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  3. Wadden TA, Foreyt JP, Foster GD, et al. Weight Loss With Naltrexone SR/Bupropion SR Combination Therapy as an Adjunct to Behavior Modification: The COR‐BMOD Trial [COR-BMOD]. Obesity. 2011;19(1):110-120. doi:10.1038/oby.2010.147
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  19. ANVISA. Bula do profissional de saúde — CONTRAVE® (cloridrato de naltrexona 8 mg + cloridrato de bupropiona 90 mg). Merck S/A, registro 1.0089.0415. Texto aprovado em 19/06/2026. consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ (buscar "CONTRAVE")
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  21. U.S. Food and Drug Administration. CONTRAVE (naltrexone HCl and bupropion HCl) extended-release tablets — prescribing information. NDA 200063, revisão de novembro de 2025. accessdata.fda.gov
  22. European Medicines Agency. Mysimba (naltrexone/bupropion) — EPAR. EMEA/H/C/003687. Revisão do Artigo 20 concluída pela Comissão Europeia em 22 de maio de 2025. ema.europa.eu
  23. ANMAT (Argentina). Disposición 7876/2023 — autorização do NALTREVA® (naltrexona/bupropiona), certificado REM 58.766, 21 de setembro de 2023. anmat.gob.ar

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Medicamentos para obesidade são de prescrição obrigatória e, no caso desta combinação, sujeitos a controle especial. Só um médico que avalie o seu caso pode decidir se há indicação, qual a dose e por quanto tempo.

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Dr. Diegomaier Nunes Neri
Dr. Diegomaier Nunes Neri

Médico (CRM-SC 32925 | CRM-BA 39586). Atende por teleconsulta pacientes de todo o Brasil e do exterior. Este conteúdo é educativo, revisado com base nas referências citadas, e não substitui uma consulta.

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Revisado em 6 de novembro de 2026 por Dr. Diegomaier Nunes Neri — CRM-SC 32925 | CRM-BA 39586.