Calculadora de Fator de Correção de Insulina

ISF (Insulin Sensitivity Factor) - Ferramenta Educacional

⚠️ Aviso Importante: Esta calculadora é apenas para fins educacionais e informativos. Não substitui o aconselhamento médico profissional. Todos os ajustes de insulina devem ser realizados exclusivamente sob orientação do seu médico. O uso inadequado de insulina pode causar hipoglicemia grave ou outras complicações médicas sérias.

Calcular Seu Fator de Sensibilidade à Insulina

DDT = TUDO o que você aplica em 24 horas: a insulina lenta/basal (ex.: NPH, glargina, degludeca, detemir) + a insulina rápida ou ultrarrápida de todas as refeições e correções do dia. Não coloque só a rápida — isso faria o fator sair alto demais. Quem usa bomba de insulina encontra a DDT no histórico da bomba (basal + bolus).

Não sabe sua DDT? Some aqui

Exemplo: 20 UI de lenta + (6 + 8 + 6) UI de rápida nas refeições = 40 UI de DDT. Se as doses mudam de um dia para outro, use a média dos últimos dias.

O que é Fator de Sensibilidade à Insulina (ISF)?

O Fator de Sensibilidade à Insulina (ISF), também conhecido como Insulin Sensitivity Factor, é um valor que descreve a quantidade de redução de glicemia (em mg/dL) que cada unidade de insulina produz no corpo. Em outras palavras, ele mede a sensibilidade do seu corpo à insulina.

Por exemplo, se o seu ISF é 1:50, isso significa que cada 1 unidade de insulina reduz sua glicemia em aproximadamente 50 mg/dL. Este valor é individual e único para cada pessoa, variando conforme fatores como idade, peso, sensibilidade corporal, tipo de diabetes, tipo de insulina utilizada e até mesmo fatores como atividade física e estresse.

O ISF é fundamental para calcular a dose de correção de insulina quando a glicemia está acima da meta. Sem conhecer seu ISF, fica muito difícil saber quanto de insulina deve ser administrado para trazer a glicemia de volta aos níveis normais.

Como o ISF é Calculado?

O cálculo do ISF usa a Dose Diária Total (DDT) de insulina e uma constante empírica — números obtidos da observação de pacientes, não de uma lei exata da fisiologia.6,7,8

O que entra na DDT (Dose Diária Total)

É a soma de todas as unidades de insulina aplicadas em 24 horas: a lenta (basal) e a rápida/ultrarrápida das refeições e correções. Em muitos esquemas de tratamento, a insulina basal corresponde a perto de metade da DDT.7

Insulina lenta (basal) — ex.: 1 aplicação de 20 UI20 UI
Rápida no café da manhã6 UI
Rápida no almoço8 UI
Rápida no jantar6 UI
DDT (total do dia)40 UI

Atenção aos nomes: no Brasil, a insulina "rápida" costuma ser a Regular (humana), e as "ultrarrápidas" são os análogos (lispro, asparte, glulisina).5

Correção com análogo ultrarrápido (lispro, asparte, glulisina):

ISF = 1800 ÷ DDT (lenta + rápida do dia)

Correção com insulina Regular:

ISF = 1500 ÷ DDT (lenta + rápida do dia)

A regra de 1500 foi descrita para a insulina Regular, que age mais devagar. Para os análogos ultrarrápidos usam-se constantes de 1700 a 1800: um estudo com pacientes bem controlados em bomba de insulina chegou a 1700 ÷ DDT,7 e outro, com monitorização contínua da glicose, mostrou que as fórmulas clássicas são só um ponto de partida e precisaram de ajuste individual.8 Esta calculadora usa 1800, a opção mais conservadora (gera doses de correção menores).

Exemplo prático: a soma de todas as suas insulinas do dia dá 50 UI (por exemplo, 24 UI de lenta + 26 UI de ultrarrápida nas refeições):

ISF = 1800 ÷ 50 (DDT) = 36 mg/dL

Isso significa que cada unidade de insulina reduz sua glicemia em aproximadamente 36 mg/dL.

Como Calcular a Dose de Correção

Uma vez que o ISF é conhecido, é possível calcular a dose de correção de insulina — a quantidade estimada necessária para trazer a glicemia de volta à meta quando está acima do alvo.

Fórmula da Dose de Correção:

Dose = (Glicemia Atual − Glicemia Alvo) ÷ ISF

Exemplo prático (usando os mesmos dados: DDT = 50 UI somando lenta + rápida, correção com ultrarrápida, ISF = 36 mg/dL):

  • Glicemia Atual: 280 mg/dL
  • Glicemia Alvo: 100 mg/dL
  • ISF: 36 mg/dL por unidade

Dose = (280 − 100) ÷ 36 = ≈ 5 unidades

Neste exemplo, aproximadamente 5 unidades de insulina seriam necessárias para corrigir a glicemia de 280 mg/dL até a meta de 100 mg/dL.

Atenção: A fórmula é uma estimativa. A resposta real pode variar conforme insulina ativa (on-board), refeição recente, atividade física e estresse. Todos os ajustes de dose devem ser realizados sob orientação do seu médico.

Diabetes Tipo 1 (DM1)

A Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) é uma condição autoimune onde o pâncreas não produz insulina adequadamente. Pessoas com DM1 requerem insulina exógena (injetada ou bomba) para sobreviver. O ISF é especialmente importante nestes pacientes porque precisam fazer ajustes constantes de insulina para manter a glicemia em controle.5

Em DM1, o ISF costuma ser mais sensível (números maiores) porque geralmente o corpo não produz insulina endógena alguma. Pacientes com DM1 frequentemente utilizam a abordagem de contagem de carboidratos + correção, onde calculam tanto a insulina necessária para cobrir os carboidratos ingeridos quanto a insulina para corrigir a glicemia.

Características principais em DM1:
• Dependência total de insulina exógena
• ISF mais sensível (valores maiores)
• Necessidade de ajustes frequentes
• Monitoramento glicêmico regular é essencial
• Maior risco de hipoglicemia

Diabetes Tipo 2 (DM2)

A Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é o tipo mais comum de diabetes, representando 90-95% dos casos. Nesta condição, o corpo ainda produz insulina, mas não consegue usá-la adequadamente (resistência à insulina). Muitos pacientes com DM2 conseguem controlar a doença com mudanças no estilo de vida e medicamentos como a metformina, mas alguns eventualmente precisam de insulina complementar.

Em DM2, o ISF costuma ser menos sensível (números menores) porque o corpo ainda tem alguma produção de insulina endógena e há maior resistência à insulina. Quando um paciente com DM2 inicia insulina, é frequentemente começando com doses baixas de insulina basal.

Características principais em DM2:
• Insulina endógena presente mas insuficiente
• Resistência à insulina é o problema central
• ISF menos sensível (valores menores)
• Início de insulina geralmente mais tardio
• Risco maior de hiperglicemia crônica

LADA (Diabetes Autoimune do Adulto)

LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) é frequentemente chamada de "DM1 do adulto" ou "DM1 de desenvolvimento lento". É uma condição autoimune como DM1, mas desenvolve-se mais lentamente em adultos13, frequentemente apresentando-se como DM2 inicialmente.

Em LADA, o sistema imunológico ataca gradualmente as células beta do pâncreas, resultando em deficiência progressiva de insulina. Com o tempo, pacientes com LADA geralmente necessitam de insulina, assim como em DM1. O ISF em LADA segue padrões intermediários, podendo variar conforme o estágio de progressão da doença.

Características principais em LADA:
• Autoimunidade como DM1, mas início lento
• Frequentemente diagnosticada como DM2 inicialmente
• Progressão gradual para dependência de insulina
• ISF intermediário entre DM1 e DM2
• Requer monitoramento e ajustes progressivos

Diabetes Gestacional

Diabetes Gestacional ocorre durante a gravidez e é uma das alterações metabólicas mais frequentes da gestação (a frequência varia conforme o critério diagnóstico usado). É causada pela resistência à insulina induzida pelos hormônios da gravidez. A maioria das mulheres consegue controlá-la com dieta e exercício, mas algumas precisam de insulina durante a gravidez — e, nesse caso, as metas e os ajustes são definidos pela equipe do pré-natal.3

O ISF em diabetes gestacional é tipicamente menos sensível devido à resistência à insulina induzida pela gravidez. É fundamental o monitoramento rigoroso, pois tanto hiperglicemia quanto hipoglicemia podem prejudicar o feto. Geralmente, o diabetes gestacional desaparece após o parto, embora aumentem os riscos de DM2 no futuro.

Características principais em Diabetes Gestacional:
• Ocorre apenas durante gravidez
• Causada por resistência à insulina gestacional
• ISF menos sensível (valores menores)
• Requer acompanhamento rigoroso no pré-natal
• Geralmente resolve pós-parto

Hiperglicemia Hospitalar

Hiperglicemia hospitalar não é um tipo de diabetes: é a glicemia elevada durante uma internação, em pessoas com ou sem diagnóstico prévio de diabetes. É causada por estresse físico (infecções, cirurgias, traumas) que aumenta produção de hormônios contra-reguladores e induz hiperglicemia.

Em ambiente hospitalar, o controle glicêmico é crítico pois contribui para resultado clínico. O ISF em diabetes hospitalar é frequentemente menos sensível devido ao estado catabólico e inflamatório. O manejo é feito pela equipe do hospital, com protocolos próprios, glicemias frequentes e preferência por esquemas com insulina basal + correção em vez de só "escala de correção".4

Características principais da hiperglicemia hospitalar:
• Hiperglicemia induzida por estresse agudo
• Frequentemente transitória
• ISF menos sensível (valores menores)
• Manejo exclusivo da equipe hospitalar
• Pode revelar um diabetes ainda não diagnosticado (por isso a hemoglobina glicada costuma ser pedida na internação)

Riscos e Considerações Importantes

Embora o ISF seja uma ferramenta valiosa, é importante entender seus riscos e limitações:

Hipoglicemia: O principal risco ao usar o ISF é tomar insulina em excesso, causando hipoglicemia (glicemia muito baixa). Hipoglicemia grave pode causar convulsões, perda de consciência e até morte. Sempre comece com doses menores e ajuste sob orientação médica.1,9
Glicemia abaixo de 70 mg/dL — a "regra dos 15": consumir 15 g de carboidrato de absorção rápida (ex.: meio copo de suco ou 1 colher de sopa de açúcar), medir de novo em 15 minutos e repetir se continuar abaixo de 70. Abaixo de 54 mg/dL é hipoglicemia de nível 2 (clinicamente importante).1,10 Hipoglicemia com confusão ou desmaio é emergência.
Insulina ainda agindo ("insulina ativa"): a insulina rápida continua fazendo efeito por algumas horas depois da aplicação. Corrigir de novo antes desse tempo soma doses ("empilhamento") e aumenta o risco de hipoglicemia.6
Variabilidade individual: O ISF é baseado em fórmulas empíricas que funcionam bem em média, mas cada pessoa responde de forma diferente à insulina. Seu ISF real pode ser significativamente diferente do calculado aqui.
Fatores que alteram o ISF: Atividade física, estresse, sono inadequado, infecções, ciclo menstrual, hormônios, idade, peso corporal e mudanças na sensibilidade de insulina podem todos afetar seu ISF real.
Diferentes tipos de insulina: Insulinas diferentes têm picos de ação diferentes, durações diferentes e absorção diferente. O ISF pode variar entre tipos de insulina.
Fenômeno do amanhecer: é a subida natural da glicemia no fim da madrugada e início da manhã, causada por hormônios como o cortisol e o hormônio do crescimento.12 O antigo "efeito Somogyi" (glicemia alta de manhã como rebote de uma hipoglicemia de madrugada) é considerado incomum hoje; a monitorização contínua ou glicemias na madrugada ajudam o médico a diferenciar as situações.11

Como o Fator de Sensibilidade é Ajustado

O ISF calculado é só o ponto de partida. Com o tempo, o médico ajusta o fator observando como a glicemia responde às correções. Entender a lógica ajuda você a conversar melhor na consulta:

Hipoglicemia depois das correções: sinal de que cada unidade está baixando mais do que o fator previa. O ajuste costuma ser aumentar o número do fator (ex.: de 1:50 para 1:55 ou 1:60), o que diminui a dose de correção.
Glicemia que continua alta depois das correções: cada unidade está baixando menos do que o previsto. O ajuste costuma ser diminuir o número do fator (ex.: de 1:50 para 1:45), o que aumenta a dose — sempre confirmando antes que a basal e as doses das refeições estão adequadas.
Um ajuste por vez, em passos pequenos: mudanças grandes são perigosas. O efeito é observado por alguns dias antes do próximo passo.
Registre tudo: glicemias, doses aplicadas, refeições e atividade física. Esses registros (ou os dados do sensor de glicose) são o que permite ajustar com segurança — veja como organizar o monitoramento da glicemia em casa.11
Nunca ajuste sozinho: qualquer mudança de dose deve ser combinada com o médico que acompanha você.2,5

Perguntas Frequentes

A DDT inclui a insulina lenta (basal)?

Sim. A DDT é a soma de todas as insulinas do dia: a lenta/basal (NPH, glargina, degludeca, detemir) mais a rápida ou ultrarrápida das refeições e correções. Usar só a rápida faz o fator sair alto demais e a dose de correção ficar errada.

Uso doses diferentes a cada dia. Qual DDT eu coloco?

Use a média dos últimos dias (por exemplo, some as doses de 3 a 7 dias e divida pelo número de dias). Quem usa bomba de insulina encontra esse valor no histórico do aparelho.

Qual a diferença entre insulina rápida e ultrarrápida?

No Brasil, "rápida" costuma se referir à insulina Regular humana, que começa a agir em cerca de 30 minutos. As "ultrarrápidas" são os análogos (lispro, asparte, glulisina), que agem mais cedo e por menos tempo. Por isso as regras são diferentes: 1500 para a Regular e 1700–1800 para os análogos.

Posso usar o resultado para mudar minha dose hoje?

Não. O resultado é educativo e serve para entender a lógica da correção. A dose de correção real depende da insulina ainda ativa, da refeição, da atividade física e da avaliação do seu médico.

Referências Bibliográficas

Referências revisadas em outubro de 2026. Cada número no texto leva à fonte; os links abrem o artigo original (DOI) e o registro no PubMed.

  1. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S132-S149. DOI: 10.2337/dc26-s006 · PubMed 41358894
  2. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 9. Pharmacologic Approaches to Glycemic Treatment: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S183-S215. DOI: 10.2337/dc26-s009 · PubMed 41358900
  3. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 15. Management of Diabetes in Pregnancy: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S321-S338. DOI: 10.2337/dc26-s015 · PubMed 41358885
  4. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 16. Diabetes Care in the Hospital: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S339-S355. DOI: 10.2337/dc26-s016 · PubMed 41358892
  5. Silva Júnior WS, Gabbay MAL, Lamounier RN, et al. Insulinoterapia no diabetes mellitus tipo 1 (DM1). Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2022. DOI: 10.29327/557753.2022-5
  6. Walsh J, Roberts R, Bailey T. Guidelines for optimal bolus calculator settings in adults. J Diabetes Sci Technol. 2011;5(1):129-135. DOI: 10.1177/193229681100500118 · PubMed 21303635
  7. Davidson PC, Hebblewhite HR, Steed RD, Bode BW. Analysis of guidelines for basal-bolus insulin dosing: basal insulin, correction factor, and carbohydrate-to-insulin ratio. Endocr Pract. 2008;14(9):1095-1101. DOI: 10.4158/EP.14.9.1095 · PubMed 19158048
  8. King AB, Armstrong DU. A prospective evaluation of insulin dosing recommendations in patients with type 1 diabetes at near normal glucose control: bolus dosing. J Diabetes Sci Technol. 2007;1(1):42-46. DOI: 10.1177/193229680700100107 · PubMed 19888378
  9. Cryer PE. Diverse causes of hypoglycemia-associated autonomic failure in diabetes. N Engl J Med. 2004;350(22):2272-2279. DOI: 10.1056/NEJMra031354 · PubMed 15163777
  10. International Hypoglycaemia Study Group. Glucose concentrations of less than 3.0 mmol/L (54 mg/dL) should be reported in clinical trials: a joint position statement of the ADA and the EASD. Diabetes Care. 2017;40(1):155-157. DOI: 10.2337/dc16-2215 · PubMed 27872155
  11. Battelino T, Danne T, Bergenstal RM, et al. Clinical targets for continuous glucose monitoring data interpretation: recommendations from the International Consensus on Time in Range. Diabetes Care. 2019;42(8):1593-1603. DOI: 10.2337/dci19-0028 · PubMed 31177185
  12. Porcellati F, Lucidi P, Bolli GB, Fanelli CG. Thirty years of research on the dawn phenomenon: lessons to optimize blood glucose control in diabetes. Diabetes Care. 2013;36(12):3860-3862. DOI: 10.2337/dc13-2088 · PubMed 24265365
  13. Buzzetti R, Tuomi T, Mauricio D, et al. Management of latent autoimmune diabetes in adults: a consensus statement from an international expert panel. Diabetes. 2020;69(10):2037-2047. DOI: 10.2337/dbi20-0017 · PubMed 32847960

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